Manobras políticas
Arnaldo Jabor
Roberto Jefferson nos deu uma aula magna de esperteza política. Ele é um mestre de xadrez, um jogador que trabalha no ponto futuro. Sua voz, gestos, seu ritmo, tudo é perfeito. Todos se sentem figurantes diante desse grande ator. Roberto Jefferson nos deu uma aula magna de esperteza política. Ele é um mestre de xadrez, um jogador que trabalha no ponto futuro. Sua voz, gestos, seu ritmo, tudo é perfeito. Todos se sentem figurantes diante desse grande ator. Sua estratégia de defesa é genial: em suas palavras, tudo é verdade e tudo é mentira. Vejamos: há mais de um ano, avisou genericamente a ministros e ate o Lula sobre o ainda desconhecido mensalão. Assim, ele responsabilizou o executivo e se protegeu preventivamente. E hoje pode dizer: eu avisei. Inteligente, ele não ia entrar nessa gorjeta medíocre de mensalão, já que comandava nichos muito mais rentáveis. Depois, quando surge o tape dos Correios, ele se recusa a renunciar a presidência do PTB em nome da honra do partido e agora pôde "confessar" candidamente que "sim, o PTB recebeu dinheiro sim, quatro milhões para o caixa de campanhas, mas isso é pratica natural, todos partidos fazem." Assim, se vacinou para acusações futuras sobre Correios, IRB, tudo feito em nome do PTB. Além disso, ele desviou a atenção da CPI para o mensalão e PT, e de réu torna-se um moralizador de costumes. De quebra, sua aula mostra nossa realidade política: de que em Brasília não há inocentes, todos são cúmplices.







